Simulação auxílio-maternidade 2026: 10 cenários reais com cálculo
Rafaela, 28 anos, cabeleireira autônoma em Belo Horizonte/MG, abriu a calculadora no celular, colocou as 12 guias de INSS pagas sobre R$ 3.000,00 e não entendeu o motivo de o INSS ter depositado R$ 2.417,00 em vez de R$ 3.000,00 — a perita tinha considerado uma média com dois meses de recolhimento a menor. Erros de cálculo como esse, segundo a Defensoria Pública da União (relatório de março/2025), aparecem em 23% dos auxílios-maternidade negados ou pagos a menor. Aqui você vai ver 10 simulações numéricas por perfil, como o teto R$ 8.157,41 e o piso R$ 1.518 são aplicados, o impacto da EC 103/2019 e como conferir se o seu benefício está correto.
Resumo rápido deste artigo
- Teto INSS 2026: R$ 8.157,41/mês (Portaria MPS/MF 6/2026) — máximo do benefício para CLT, autônoma e desempregada
- Piso 2026: R$ 1.518,00/mês (1 salário mínimo) — aplicável a MEI, rural, doméstica e quem recebe o mínimo
- CLT: valor integral do último salário (art. 72 Lei 8.213/1991) — sem média, sem redução
- Autônoma/facultativa: média dos 12 últimos salários de contribuição (art. 73, III)
- Desempregada em graça: último salário de contribuição (art. 73, II) — até 36 meses
- Duração: 120 dias (4 meses) — 180 dias para Empresa Cidadã e servidoras federais
- Em 2025 o INSS pagou cerca de 2,9 milhões de benefícios de salário-maternidade (Anuário Estatístico da Previdência Social)
Neste artigo
- Auxílio, salário ou licença? Qual é o nome correto
- A fórmula em 2026: teto, piso e regras por perfil
- Simulação 1-3: CLT em 3 faixas salariais (R$ 2.000, R$ 5.000, R$ 10.000)
- Simulação 4: MEI com 10 meses de contribuição
- Simulação 5: Autônoma com 12 meses sobre R$ 3.000
- Simulação 6: Desempregada em período de graça
- Simulação 7: Doméstica com salário R$ 1.800 (LC 150/2015)
- Simulação 8: Rural segurada especial
- Simulação 9: Servidora pública federal
- Simulação 10: CLT com Empresa Cidadã 180 dias
- Como conferir se seu valor está correto
- Perguntas frequentes
💬1. Auxílio, Salário ou Licença? Qual é o Nome Correto
Antes de qualquer simulação, é importante corrigir um equívoco comum que afeta milhões de buscas todos os meses. O termo popular "auxílio-maternidade" não existe tecnicamente na legislação brasileira. O nome jurídico do benefício é salário-maternidade, previsto no art. 71 da Lei 8.213/1991. Usar o termo errado nem sempre atrapalha na prática — o INSS entende a solicitação — mas é útil saber a diferença para ler corretamente cartas, extratos e recursos.
Três conceitos se confundem na cabeça de quase toda gestante em 2026. A licença-maternidade é o afastamento do trabalho (tempo). O salário-maternidade é o benefício pago pelo INSS ou pela empresa (dinheiro). Já o termo "auxílio-maternidade" aparece em conversas informais, no Google e até em materiais institucionais, mas juridicamente não é preciso — é apelido popular do salário-maternidade.
Para aprofundar a diferença entre os três conceitos, o guia detalhado está em licença-maternidade: como funciona. Aqui seguimos com o foco em simulações numéricas. Importante: quando este artigo diz "auxílio-maternidade", está se referindo ao salário-maternidade pago pelo INSS — são sinônimos para efeito prático.
🧮2. A Fórmula em 2026: Teto, Piso e Regras por Perfil
O cálculo do salário-maternidade em 2026 segue três regras principais, cada uma aplicável a um perfil de segurada. A fórmula não mudou com a Reforma da Previdência (EC 103/2019) para esse benefício — o que muda ano a ano é o valor do teto (corrigido pelo INPC) e o valor do piso (vinculado ao salário mínimo).
CLT — último salário
Remuneração integral do mês do afastamento, sem média. Se salário do mês é R$ 4.500, benefício é R$ 4.500/mês por 4 meses. Teto de R$ 8.157,41.
MEI — piso
Valor fixo igual a 1 salário mínimo (R$ 1.518 em 2026), pois a MEI contribui com 5% sobre o mínimo. Total 4 meses = R$ 6.072,00.
Autônoma — média 12 meses
Média aritmética dos 12 últimos salários de contribuição efetivos. Se contribuiu 12 vezes sobre R$ 3.000, a média é R$ 3.000/mês.
O teto de 2026, de R$ 8.157,41, foi publicado pela Portaria Interministerial MPS/MF nº 6, de janeiro de 2026 (que corrigiu em 4,77% os valores de 2025 com base no INPC acumulado). O piso, de R$ 1.518,00, corresponde ao salário mínimo fixado pelo Decreto nº 12.364/2025 com vigência a partir de 1º de janeiro de 2026. Esses dois números delimitam o intervalo possível do benefício.
Evolução do teto INSS 2020-2026 (salário-maternidade máximo)
O salário-maternidade é pago durante 120 dias (4 meses) como regra geral — equivalente à duração da licença. Em empresas cadastradas no Programa Empresa Cidadã (Lei 11.770/2008), sobe para 180 dias (6 meses), mas os dois meses extras são pagos pela empresa e não pelo INSS. Servidoras públicas federais também têm 180 dias, pagos pelo órgão empregador.
Para entender a estrutura conceitual antes das simulações, vale revisar o guia do valor do salário-maternidade e o guia sobre quem tem direito. Agora às contas, começando pela CLT.
👩💼3. Simulações 1-3: CLT em 3 Faixas Salariais
A empregada regida pela CLT é o perfil mais simples de calcular porque o valor do benefício é o mesmo salário do mês do afastamento, sem média. O pagamento, por outro lado, segue um fluxo que confunde muita gente: a empresa paga durante os 4 meses e depois compensa o valor nos recolhimentos futuros do INSS (art. 72, §1º da Lei 8.213/1991). A trabalhadora recebe como se fosse o próprio salário, via folha da empresa.
Simulação 1 — CLT com salário R$ 2.000
Simulação 2 — CLT com salário R$ 5.000
Simulação 3 — CLT com salário R$ 10.000 (acima do teto)
A Fernanda ganhou R$ 10.000 porque a empresa dela complementou
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Descubra se você tem direito à complementação🧾4. Simulação 4: MEI com 10 Meses de Contribuição
A MEI (Microempreendedora Individual) foi criada pela Lei Complementar 128/2008 e hoje conta com mais de 16 milhões de optantes no Brasil (dados do Portal do Empreendedor, fevereiro/2026). O que muita MEI não sabe é que ela tem direito ao salário-maternidade — basta cumprir a carência de 10 contribuições mensais em dia (art. 25, III da Lei 8.213/1991).
Simulação 4 — MEI Laura
O pagamento é feito em parcela única do INSS (pagamento direto no Meu INSS), e não pela empresa como na CLT. Para aprofundar requisitos e o processo de solicitação, veja o guia completo da licença-maternidade para MEI. Quando a MEI quer benefício maior, precisa contribuir como autônoma (assunto da próxima simulação).
💇5. Simulação 5: Autônoma com 12 Meses Sobre R$ 3.000
A autônoma contribuinte individual recolhe o INSS diretamente (sem empresa intermediando) pela GPS (Guia da Previdência Social) ou Carnê. A alíquota pode ser 20% sobre a renda declarada (acesso ao teto) ou 11% no plano simplificado (limitado ao piso). O cálculo do salário-maternidade segue a média dos 12 últimos salários de contribuição — o mais equilibrado entre os regimes.
Simulação 5 — Autônoma Rafaela
😰6. Simulação 6: Desempregada em Período de Graça
Uma das dúvidas mais comuns e um dos benefícios mais subutilizados: a desempregada que já contribuiu com o INSS e está dentro do chamado "período de graça" (art. 15 da Lei 8.213/1991) mantém a qualidade de segurada e pode receber salário-maternidade mesmo sem trabalhar. O período de graça dura:
- 12 meses após a última contribuição, para contribuintes com menos de 10 anos de histórico
- 24 meses, se tiver mais de 120 contribuições sem perda da qualidade de segurada
- 36 meses, se dentro dos 24 meses registrar-se no Sine ou comprovar busca por emprego
- Para CLT demitida sem justa causa, o prazo de graça começa a contar após o término do aviso prévio
- Durante todo o período de graça, a trabalhadora é considerada segurada para todos os efeitos previdenciários
Simulação 6 — Desempregada Amanda
🏠7. Simulação 7: Doméstica com Salário R$ 1.800 (LC 150/2015)
A empregada doméstica passou a ter direitos equiparados aos da CLT a partir da Lei Complementar 150/2015 (PEC das Domésticas), sancionada em 1º de junho de 2015. Antes dessa norma, o salário-maternidade das domésticas era pago diretamente pelo INSS com média; desde 2015, equipara-se à CLT, e a empregadora doméstica paga o benefício durante os 4 meses, compensando depois com o INSS via eSocial-Doméstico.
Simulação 7 — Doméstica Cleide
🌾8. Simulação 8: Rural Segurada Especial
A segurada especial rural é a trabalhadora que vive do trabalho no campo em regime de economia familiar (art. 11, VII da Lei 8.213/1991) — agricultura familiar, pesca artesanal, extrativismo vegetal. Esse perfil não precisa recolher contribuição mensal em valor fixo, mas precisa comprovar 10 meses de atividade rural imediatamente anteriores ao parto (carência diferenciada).
Simulação 8 — Rural Dona Iara
🏛️9. Simulação 9: Servidora Pública Federal
A servidora pública federal estatutária (regida pela Lei 8.112/1990) tem regra totalmente distinta do RGPS. O benefício é pago pelo próprio órgão empregador (não pelo INSS) com remuneração integral durante 180 dias — 4 meses a mais que a CLT padrão. Não se aplica o teto do RGPS: a servidora recebe o contracheque integral, incluindo gratificações permanentes e funções comissionadas.
Simulação 9 — Servidora Letícia
📅10. Simulação 10: CLT com Empresa Cidadã 180 Dias
O Programa Empresa Cidadã (Lei 11.770/2008) permite às empresas privadas concederem 60 dias adicionais de licença-maternidade (total de 180 dias) em troca de dedução fiscal do valor pago nesses 2 meses extras, que pode ser abatido no IRPJ (regime do lucro real). A adesão é voluntária — atualmente cerca de 25 mil empresas no Brasil estão cadastradas no programa (dados Receita Federal, janeiro/2026).
Simulação 10 — CLT em Empresa Cidadã
O pedido para os 2 meses adicionais é feito direto pelo RH da empresa — não precisa de novo requerimento no INSS. A trabalhadora deve solicitar por escrito até o fim do primeiro mês de licença (Decreto 7.052/2009). Para saber se a sua empresa é cadastrada no Empresa Cidadã, basta consultar o Portal da Receita Federal pela razão social/CNPJ.
Dos 10 cenários: qual mais parece com o seu?
CLT, MEI, autônoma, doméstica, desempregada, rural, servidora — cada perfil tem regra e valor distinto. Em 2 minutos, o quiz gratuito identifica sua situação, estima o valor aproximado e lista documentos necessários para dar entrada sem erro.
Quero saber o que posso receber📊11. Como Conferir Se Seu Valor Está Correto
A Defensoria Pública da União estima que aproximadamente 23% dos salários-maternidade pagos em 2025 saíram com algum erro — seja de valor (média calculada errada, salário de contribuição faltando), seja de duração (pagamento só de 3 meses em vez de 4), seja de categoria (MEI indeferida mesmo com 10 contribuições). Conferir o valor é rápido e pode reverter prejuízos de milhares de reais.
Passo a passo para conferir
- Acesse o portal Meu INSS (site ou aplicativo) com login gov.br
- Clique em "Consultar Benefício" → selecione salário-maternidade
- Compare a "Data de Início do Benefício" (DIB) com a data do parto ou 28 dias antes
- Verifique a "Renda Mensal Inicial" (RMI) e compare com o que você calculou neste artigo
- Baixe o "Histórico de Créditos" para conferir o valor de cada parcela mensal
- Compare com o CNIS (extrato de contribuições) disponível em "Extrato Previdenciário"
- Em caso de divergência, apresentar recurso administrativo no próprio Meu INSS (prazo: 30 dias)
| Perfil | Base de cálculo | Valor mensal 2026 | Duração | Quem paga |
|---|---|---|---|---|
| CLT até R$ 8.157 | Último salário integral | R$ salário efetivo | 120 dias | Empresa (compensa INSS) |
| CLT acima do teto | Teto RGPS (art. 28) | R$ 8.157,41 | 120 dias | Empresa (compensa INSS) |
| MEI | Salário mínimo | R$ 1.518,00 | 120 dias | INSS direto |
| Autônoma 20% | Média 12 últimas | Conforme média | 120 dias | INSS direto |
| Doméstica | Último salário integral | R$ salário efetivo | 120 dias | Empregador (eSocial) |
| Desempregada em graça | Último salário contrib. | Conforme CNIS | 120 dias | INSS direto |
| Rural especial | Salário mínimo | R$ 1.518,00 | 120 dias | INSS direto |
| Servidora federal | Remuneração integral | R$ vencimento + gratif. | 180 dias | Órgão empregador |
| Empresa Cidadã | Último salário integral | R$ salário efetivo | 180 dias | Empresa (60 dias extras c/ IR) |
Se o benefício foi negado ou pago em valor inferior ao que este artigo estima, há caminhos de resposta institucionais — resumidos no guia salário-maternidade negado: o que fazer. Para dar entrada com a documentação correta, vale olhar o passo a passo em como dar entrada no salário-maternidade. Em caso de dúvidas trabalhistas associadas (estabilidade, retorno, demissão), veja direitos trabalhistas da gestante e fui demitida grávida: direitos.
23% dos benefícios pagos em 2025 saíram com erro — confira o seu
Conferir exige conhecer a regra do seu perfil. Em 2 minutos, o quiz estima seu valor, lista documentos e indica se é caso de revisão.
Fazer o quiz gratuito agora❓12. Perguntas Frequentes
Para 2026, o valor do salário-maternidade (termo correto, popularmente chamado de "auxílio-maternidade") para quem recebe um salário mínimo é de R$ 1.518,00 por mês, durante 4 meses (120 dias), totalizando R$ 6.072,00. Este é o piso legal: o benefício não pode ser inferior ao salário mínimo nacional (CF art. 7º, IV e Lei 8.213/1991, art. 73). Vale tanto para a CLT que recebe o mínimo, quanto para a MEI (contribuição de 5% sobre o mínimo), para a segurada especial rural e para a desempregada em período de graça cujo último salário foi igual ao mínimo.
O teto do salário-maternidade em 2026 é de R$ 8.157,41 por mês — limite máximo do salário de contribuição do RGPS, publicado pela Portaria MPS/MF nº 6/2026 (reajuste de 4,77% sobre 2025). Quem recebe acima desse valor na iniciativa privada terá o benefício limitado a R$ 8.157,41/mês durante os 4 meses — totalizando R$ 32.629,64 no período. Servidoras públicas com regime próprio não estão sujeitas ao teto: recebem remuneração integral durante os 180 dias.
A MEI contribui com valor fixo de 5% sobre o salário mínimo — em 2026, R$ 75,90/mês. Por esse modelo, o salário-maternidade da MEI corresponde sempre a 1 salário mínimo, que em 2026 é R$ 1.518,00/mês. Em 4 meses, recebe R$ 6.072,00. Precisa comprovar 10 meses de contribuições efetivas em dia antes do parto (carência do art. 25, III da Lei 8.213/1991). A MEI que quiser valor maior que o mínimo precisa contribuir como contribuinte individual (20% sobre a renda declarada), caso em que o benefício segue a regra da autônoma.
Sim, em regra. O salário-maternidade da autônoma é calculado pela média aritmética das 12 últimas contribuições recolhidas, conforme o art. 73, III da Lei 8.213/1991. Se recolheu 12 meses consecutivos sobre R$ 3.000, a média é exatamente R$ 3.000, e esse será o valor mensal por 4 meses (total R$ 12.000,00). Se houver contribuições em valores diferentes, a média muda proporcionalmente. A Reforma da Previdência (EC 103/2019) alterou aposentadorias, mas o art. 73 manteve a média dos 12 últimos. Carência: 10 contribuições mensais.
Sim. A desempregada que manteve a qualidade de segurada (período de graça do art. 15 da Lei 8.213/1991) tem direito ao salário-maternidade sem estar trabalhando. O período de graça é de 12 meses após a última contribuição, prorrogável para 24 meses com mais de 120 contribuições e para 36 meses com registro no Sine. O valor é o último salário de contribuição (art. 73, II) — se o último salário era R$ 2.800, o benefício é R$ 2.800/mês × 4 meses = R$ 11.200,00, respeitado o teto do RGPS (R$ 8.157,41). Requerimento pelo Meu INSS.
A EC 103/2019 alterou substancialmente o cálculo de aposentadorias e pensões, mas preservou a fórmula do salário-maternidade nos pontos centrais: CLT continua com remuneração integral do mês do afastamento (art. 72), autônoma com média dos 12 últimos (art. 73, III), desempregada em graça com o último salário de contribuição. O que mudou: a EC 103/2019 unificou o teto em R$ 7.087,22 em 2020, com reajustes anuais chegando a R$ 8.157,41 em 2026. Não há desconto de INSS sobre o benefício recebido — vem líquido. O IR incide conforme a tabela progressiva.